U C A N H A

PONTE MEDIEVAL FORTIFICADA - Única construção fortificada deste género em Portugal, constitui um verdadeiro mistério para os arqueólogos, etnólogos, historiadores e arquitectos já que ninguém sabe, exactamente, quando foi edificada nem qual a razão de a terem defendido com uma imponente torre militar pois nunca por ali se travaram grandes ou pequenas batalhas.

A poucos quilómetros da vila de Tarouca, a aldeia de Ucanha possui pouco mais de setecentos habitantes em duzentas casas mas, apesar de tão diminuta população, a descoberta de várias sepulturas escavadas na própria rocha, datadas da época vizinha dos primeiros séculos do cristianismo, levam a supor ter havido por ali gente a morar bons anos antes da fundação da Nacionalidade.

Esta insólita fortificação além de rodeada de certo mistério, é única em todo o território português.

Íngreme e estreita, quase entaipada por casas de granito, o viajante depara com surpresa, por isso lhe acontecer subitamente, com uma torre sólida, paralelepípedo enorme de base quadrangular, tendo vinte metros de altura e dez de largura, apresentando um estreito arco e túnel os quais se torna necessário atravessar antes de penetrar na ponte. Após isso, já sobre o rio Barosa, o visitante atento conclui encontrar-se numa ponte do tipo das de sela, provida de cinco arcos ogivados, sendo o arco médio o principal, por mais alto e largo, chegando a alcançar um vão de doze metros e uma altura de cinco. Na face nascente da torre, a dar para a povoação de Ucanha, pode ver-se sobre o arco um nicho com bonita imagem em pedra a que o povo chama Senhora do Castelo. Esta designação é imprópria visto não se tratar de um castelo mas de uma torre  asa de Leite de Vasconcelos fortificada. Na outra margem, como testemunha de um passado de abundância, uma azenha abandonada, após ter moído o centeio e o milho, para mais de vinte gerações, oferece um sintoma de paz. O mesmo acontece com o casario plantado a montante, construções de granito mas com todos os sinais de casas agrícolas seculares onde se tratou sempre, mais de trabalhos de lavoura sob o beneplácito da deusa Ceres do que dos ferozes negócios de Marte.

José Leite de Vasconcelos, nascido nesta povoação, e se calhar tendo passado algumas tardes da sua meninice brincando no interior da fortificação, coloca as mais diversas suposições, referindo:

A torre servia de defesa à ponte, posta à entrada do couto de Salzedas, pelo menos era isso na aparência, pois mais talvez constitua símbolo de ostentação abacial do que, propriamente, fortificação militar. É possível que em algum tempo se cobrasse o imposto de barreira, denominado pelos antigos portágio ou portagem e que, em regra, se recebia à porta das povoações. Mas, se assim foi de começo, não o era já nos inícios do século XVI, porque um foral de D. Manuel o proíbe de modo terminante.

Descubra-se ou não o enigma da ponte fortificada de Ucanha, ainda resta o objectivo principal de podermos visitar o local, contemplando o manso e ainda pouco poluído curso de água, ouvir às lavadeiras canções populares porventura já cantadas no tempo que por lá andou o frade cisterciense Claude de Bronserval (1527) e imaginar quanto o que por ali se passou teve importância na fundação do Reino de Portugal. Foi nesta zona que viveu D. Egas Moniz, onde D. Afonso Henriques foi colocado sobre a protecção de uma Virgem por aquele aio de uma só palavra cuja tradição diz ter sido mais do que isso.


----- o0O0o -----

UCANHA é uma freguesia do concelho de Tarouca, que se encontra enquadrada Vista de ruaao longo da encosta que desce em direção ao Rio Varosa ou Barosa.

O topónimo Ucanha deriva de Cucanha, forma usada até ao séc. XVII, tratando-se de um vocábulo que pode designar casebre ou lugar de diversão.

O curso de água, acompanhado por salgueiros e amieiros, ampara uma ínsua entre a ponte de Ucanha e a ponte nova, a qual é desfrutada como praia fluvial. Esta freguesia marca a entrada do antigo couto do Mosteiro de Salzedas, onde são conservadas ainda dentro do seu limite as ruínas da Abadia Velha de Salzedas.

As casas, essencialmente unifamiliares, ornamentam-se deCasa típica varandas em madeira, com o realce do vermelho, azul e verde nas suas pinturas. Com escadas exteriores apresentam quase sempre dois pisos, cujo piso térreo é utilizado para as lojas, destinado essencialmente para uso agrícola, enquanto o segundo piso se destina à habitação.

Ucanha é uma das seis aldeias vinhateiras, assim denominadas desde 2001, que encerra uma história milenar, intrinsecamente ligada à cultura do vinho. Esta localidades, como todas as outras cinco, está sujeita a um programa de requalificação, que visa proteger e reabilitar os espaços urbanos e paisagísticos que engloba. Todos os anos, desde 2007, realiza-se o Festival das Aldeias Vinhateiras, durante os meses de setembro e outubro, enchendo as ruas de espetáculos, animação e atividades. Todas as festividades são apadrinhadas pela gastronomia e pelo vinho locais.

IGREJA MATRIZ DE UCANHA Praticamente ao ladoIgreja Matriz da Casa Natal de Leite de Vasconcelos, na praça de mesmo nome,a igreja mãe de Ucanha, à direita do rio Varosa em uma plataforma que se eleva acima dele. Construído entre os séculos XVII e XVIII, uma igreja única, retangular, com dois edifícios adjacentes: A sacristia e a torre sineira (sul). Apesar de sua aparência sóbria, o interior é muito rico, abriga um belo teto de madeira pintado e vários retábulos em talha dourada com imagens de São João Evangelista, Maria Madalena, Santa Barbara e São Pedro, bem como a fonte de granito. Lá fora, ao lado do norte, é o cemitério municipal.