Vila Pouva da Murganheira

Vila Pouca é um pequeno lugarejo pertencente à Freguesia de Salzedas e de características bem definidas. Ponte da Murganheira

Situa-se no alto de uma ravina, dependurada por sobre o abismo num dos locais mais pitorescos do Barosa. O seu alvéolo é ali muito fundo e pedregoso e dele se erguem as encostas quase a prumo cobertas de exuberante vegetação. As suas terras são amanhadas em grandes socalcos e produzem abundantemente o vinho, milho azeite, batatas e legumes. Os altos vestem-se de soutos e pinhais.

Para se chegar ao rio é preciso descer a Rio da Murganheira calçada que meneia com trajeitos sensuais e é ornamentada por flores silvestres, azevinhos e medronheiros raquíticos numa lonjura de mais de 150 metros. De repente começa a ouvir-se o muralhar das águas revoltas e que têm o condão de amansar o nosso sistema nervoso e acalmar os ouvidos.

Agora já se vê esse tufo de verdura enorme composta por freixos, amieiros e salgueiros, acompanhando todo o curso do Barosa. Na margem direita, três casitas habitadas com o respectivo moinho semi-escondido nas folhagens. E depois? Depois é o aparecimento desta pequena maravilha arquitectónica, orgulhosamente desconhecida e intacta a desafiar a passagem dos séculos.

Fins de uma tarde num mês de Junho, quando o Verão se aproxima e eis-me no tabuleiro obtuso, olhando as águas em torvelinho e barulhentas que me fascinam e atraem. Cascata do Varosa Seguro-me nas guardas da ponte e absorvo o espectáculo em golos sôfregos e sedentos de mística vetusta. Desço lá abaixo e sento-me nos fraguedos gastos e polidos pela força da corrente em dias de maior ímpeto. É daí que me apercebo da beleza e perfeição deste arco único, que tão perfeito que mais parece desenhado a compasso e as pedras riscadas a esquadro e régua. Os pilares encontram-se firmemente assentes em sólidos calhaus que ladeiam o rio e lhes garantem segurança que baste. Por isso é que, apesar de não beneficiar de trabalhos de manutenção e de ter sido construída há mais de 600 anos, pelos frades de Salzedas que assim facilitavam o trânsito para os lados do poente, Eira Queimada, Vila Meã, Ferreirim e Lamego e do pouco uso que agora dela se faz, a ponte se conserva tão bem.

Porém, o rio continua turbulento e imperturbável, fazendo redemoinhos de espuma branca quando a água cai das alturas. As gotículas remanescentes elevam-se no ar e ganham cores caleidoscópicas e transparentes antes de se desintegrarem à luz de um sol doirado que vai tombando para lá de Santa Helena. Abadia Velha

(Fonte: jornal "DOURO & BEIRA"-8/8/00)


Caves da Murganheira


   Estas caves foram fundadas há mais de 50 anos, Caves da Murganheira numa propriedade com mais de 30 hectares, atualmente.

Uma cave original, escavada em rocha de granito azul, atingindo uma profundidade de 72 metros que em vez das tradicionais pipas, toda ela está cheia de garrafas de espumante. Na Murganheira, os espumantes desenvolvem-se naturalmente nas suas garrafas, passando por diversos estágios até atingir a maturação necessária. Aqui se produzem-se os famosos vinhos e espumantes das Caves da Murganheira.

Os vinhos leves mas intensos resultam das castas mais nobres como Malvasia Fina, Gouveio Real, Cerceal, Chardonnay, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Pinot Noir.

Se pretender visitar as Caves da Murganheira, não hesite em a contactar. Organizam visitas guiadas para si!