FILARMÓNICAS

O Concelho de Tarouca é desde há muitos séculos de grandes tradições musicais e a atesta-lo estão as 5 bandas filarmónicas existentes no território de sua jurisdição: Tarouca, Salzedas, Eira Queimada e Gouviães (2). Quatro destas bandas com fundação bastante remota.

No passado existiram ainda as bandas de Mondim da Beira e Vila Chã da Beira.
   Delas saíram, e continuam a sair, grandes músicos que se vieram a notabilizar em grandes agrupamentos musicais a nível nacional e até mundial.

Associação Filarmónica de Tarouca

Acredita-se ter sido fundada por volta de 1830. Não há conhecimento de qualquer documento que o confirme, mas pessoas idosas afirmam ter ouvido dizer a seus avós que já existiria no tempo da sua juventude. Com períodos de interrupção de funcionamento, sempre se reorganizou porque a paixão pela música, bem arreigada nas gentes deste concelho, não permitia que a sua banda se extinguisse definitivamente. Ensinava-se mais uma "mão cheia" de jovens para suprir a falta de alguns músicos antigos que, por qualquer motivo não voltavam ao activo e lá estava a banda novamente a animar os arraiais e a abrilhantar as festas religiosas e outrs eventos.

Para estar presente nas romarias, muitas vezes havia que vencer grandes distâncias com longas caminhadas a pé quer fizesse frio, calor, chuva ou canícula, serra acima serra abaixo, com uma magra recompensa que nem dava para pagar as solas rompidas.

Actualmente esta banda passa por uma fase de alguma prosperidade relativamente ao passado, quer em elementos humanos, com muita juventude bem preparada pelas escolas de música actualmente existentes por todo o Concelho, quer em equipamento, com instrumental e fardamento sempre renovados. Hoje pode-se dizer que existem condições no Concelho para se formar uma filarmónica apta a executar repertório de elevado nível artístico que honre a tradição musical do Concelho e a memória de uma boa mão cheia de Tarouquenses que se distinguiram no panorama musical do País e encha de orgulho todos os que sempre manifestaram carinho pela sua banda.

Sociedade Filarmónica de Salzedas

O historial desta banda remonta aos primórdios do século XIX, quando um pequeno quinteto de instrumentos de sopro foi formado para acompanhar o coro de frades beneditinos, que no Convento de Santa Maria de Salzedas, participava nas celebrações religiosas. No dia 2 de Abril de 1839, é oficializada a constituição da Sociedade Filarmónica de Salzedas, composta por 20 músicos. Desde então, a actividade desta banda nunca mais parou, estando normalmente presente em recepções a membros do Governo aquando das suas deslocações à vila de Salzedas.

José Carlos Ferreira de 87 anos e que durante várias décadas tocou clarinete nesta Associação, lembra-se de cerca de uma dezena de regentes. Um deles, António Carlos Ferreira, regeu esta banda durante cerca de 60 anos. Aliás, os longos anos de permanência dos músicos na "sua banda" são um facto a realçar. Muitos têm sido os elementos que entrando ainda "miúdos", só de lá vieram a sair passados mais de 50 anos.

Ao longo da sua existência esta filarmónica remodelou por 12 vezes o seu fardamento e, nos inícios dos anos 30 mudou também todo o seu instrumental, para o qual contribuiu o Sr. Manuel Pinto Lucena, um benemérito que após muitos anos no Brasil, se distinguiu na ajuda que prestou aos mais pobres e na feitura da escola e sua cantina.

Num passado mais recente registe-se a passagem da banda de Salzedas pelo Teatro Maria Matos em Lisboa e as idas a Alcobaça nos intercâmbios culturais que o Município de Tarouca aí realizou, bem como as suas participações nos encontros distritais de bandas de música.

Um dos pontos altos na sua história aconteceu nas comemorações do seu 165º aniversário, onde, para além da presença de todas as bandas do concelho e da Sociedade Filarmónica Maiorguense -Alcobaça, apresentou a sua recém formada orquestra juvenil. Um quinteto de jovens músicos de Salzedas participou em 1999 numa acção de sensibilização musical em que estiveram presentes alunos de todas as escolas da freguesia.

Actualmente a Sociedade Filarmónica é composta por 40 músicos todos naturais ou residentes em Salzedas.

A sua sede e sala de ensaios situa-se, praticamente desde o início da sua fundação, num espaço anexo à igreja conventual, no lugar onde outrora se situava a "botica" (farmácia) do mosteiro. No seu interior existe um espaço onde cuidadosa e carinhosamente guardam muitos instrumentos antigos, alguns dos quais centenários.

Banda Musical de Gouviães

Fundada em 1877, teve as suas primeiras actuações públicas em 1880 durante as festas de Páscoa em Gouviães e Ucanha.

O seu principal fundador foi Manuel Ferreira que aprendeu a tocar cornetim por si mesmo, tendo aos 20 anos incorporado o Regimento de Infantaria de Lamego, onde consolidou os seus estudos musicais. Regressado do serviço militar transmitiu os seus conhecimentos a outros conterrâneos, nos quais se incluíam seus filhos e que viriam a fazer parte da banda.

Testemunhos do passado brilhante desta banda, são os numerosos músicos que, um pouco por todo o país e até no estrangeiro, têm ocupado lugares de destaque, quer como solistas ou maestros de bandas ou orquestras, quer como compositores ou professores em Conservatórios e Academias de Música.

Banda Musical de Eira Queimada

Surgiu esta banda no início dos anos 40 do século XX pela carolice de Jorge Ribeiro, Banda de Eira Queimada actualmente elemento da Banda de Gouviães que havia integrado também a banda do regimento de Infantaria 9 em Lamego no cumprimento do serviço militar. Para tal e a suas expensas, adquiriu instrumental usado à Banda de Salzedas e com elementos das bandas de Tarouca, Salzedas, Figueira e locais, deu início às actuações.

Após o falecimento do seu fundador em 1956, seguiu-se um período de alguma instabilidade com mudanças frequentes de maestros, embora se mantivesse em actividade. No início dos anos 60, com a admissão de novos elementos, esta banda mantém até hoje a estabilidade que garantem a sua continuidade e qualidade, com o apoio de uma escola de música permanente.

Longe vão os tempos em que as deslocações eram feitas a pé para satisfazerem os compromissos assumidos. Grupos de músicos saíam à tarde, caminhando e tocando, dormindo onde calhava e, no dia seguinte, lá se encontravam no local e na hora certa para a actuação.

De salientar a fidelidade que algumas localidades de certa importância no norte do país mantêm para com esta banda que há quase 20 anos não a dispensando nas suas festividades.

Banda Juvenil Zé Ribeiro - Gouviães

A Banda juvenil Zé Ribeiro teve a sua origem em 18 de Novembro de 1991 quando oito miúdos começaram a aprender música em casa do Maestro Zé Ribeiro.

Com o aumento do número de jovens que queriam aprender música houve a necessidade de se arranjarem instrumentos para incutir mais animação à aprendizagem.

Ao saber que a Banda de Cinfães mudara de instrumental, o Maestro Zé Ribeiro deslocou-se até lá, e adquiriu quase todos os instrumentos desactivados com o seu próprio dinheiro.

Nos finais de Maio de 1992, com um pequeno grupo de miúdos a tocar e a cantar, fizeram a primeira missa cantada em Gouviães.

No final de 1992 eram já 22 miúdos a integrar a Banda e nos princípios de 1993 mais uma vez o Maestro Zé Ribeiro fez obras para aumentar a sala de ensaios com o seu próprio dinheiro.

 

Em 15 de Fevereiro de 1993, era constituída por acto notarial a Associação da Banda juvenil Zé Ribeiro de Gouviães, tendo-se realizado em 25 de Abril de 1993 a primeira actuação em público com a Banda já fardada. Apesar de existirem mais Bandas no concelho de Tarouca, esta tem sido muito solicitada destacando-se a participação no Encontro de Bandas do concelho de Tarouca, no Encontro Distrital de Bandas juvenis promovido pelo INATEL em 1995 e no programa da RTP "À Volta do Coreto" apresentado pelos pianistas Olga Prates e Vitorino de Almeida e o maestro e compositor José Calvário