Duarte Ferreira Pestana
Militar e Músico (21-2-1911/3-12-1974)


Duarte Ferreira nasceu a 21 de Fevereiro de 1911 em Tões, pequena freguesia do concelho de Armamar, Maestro Duarte Pestana distrito de Viseu. Segundo filho mais velho entre 6 irmãos, de Dinis Ferreira da Silva e de Beatriz da Conceição Gouveia, o pai tocava saxofone e flauta, tendo sido regente de bandas filarmónicas na região.

Toda a paixão pela música que o pai possuía foi herdada pelos filhos. Deste modo, 4 dos seus 6 filhos foram músicos profissionais de grande sucesso. Ao primeiro, a filha Cristalda Ferreira Pestana, seguiu-se Duarte Ferreira (Clarinete), Dinis Ferreira Pestana (Contrabaixo de cordas), Ângelo Ferreira Pestana (Fagote), Amadeu Ferreira da Silva e Adácio Ferreira Pestana (Trompa). Duarte Ferreira adoptou mais tarde o apelido Pestana assim como o seu irmão Amadeu Ferreira da Silva pois eram os únicos filhos que não possuíam este apelido de família.

Foi casado com Ana da Costa Saraiva e teve dois filhos: Américo Saraiva Ferreira e Beatriz Saraiva Ferreira. O responsável pelo ensino da música à família Ferreira Pestana foi o avô paterno Manuel Ferreira (era alfaiate de profissão e esteve na fundação da Filarmónica de Gouviães). Deste modo, Duarte Ferreira Pestana começou aos 7 anos de idade a tocar flautim na banda de música local, em Gouviães (concelho de Tarouca). Maestro Duarte Pestana Em 1926, com 15 anos de idade, o tio Américo Ferreira (irmão do pai de Duarte Pestana), depois de estar no Porto, chamou-o para aprendiz, colocando-o na Banda de Música dos Bombeiros do Porto. Mais tarde, em 1928, colocou-o como aprendiz na Banda da Infantaria nº 18 do Porto como clarinetista. Nessa altura, foi aluno de clarinete do Capitão António Alves no Conservatório de Música do Porto. Nesse mesmo ano, a Banda foi extinta e os músicos foram distribuídos pelas restantes banda militares. Duarte foi para o RIP (Banda do Regimento de Infantaria do Porto).

Esteve na Banda do RIP nº 18 até 1934 (quando tinha 23 anos), altura em que abriu uma vaga para clarinete na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana de Lisboa (dirigida pelo Capitão Lourenço Alves Ribeiro). Duarte Ferreira Pestana efectuou concurso em Lisboa, e uma vez que era Furriel (embora já tivesse sido aprovado para 2º Sargento, não tinha havido vagas) ingressou como 2º Sargento efectivo, preenchendo a vaga em aberto. Deste modo, em 1935, a restante família de Duarte Ferreira Pestana seguiu para Lisboa, onde residiu na Travessa de Sacramento. Ainda no Porto, Duarte chamou o irmão Diniz para ingressar na Banda do RIP nº 18, onde já estava o primo Mário Ferreira.

A sua ida para Lisboa “abriu caminho” para que os restantes irmãos músicos lhe seguissem os passos. Assim, trouxe o irmão Diniz (passados 2 ou 3 anos) que viveu com ele. O outro irmão músico, Angelo Ferreira, que tocava na Banda de Música de Gouviães, também veio para Lisboa aprender Fagote. Mais tarde veio o irmão mais novo, Adácio, começando logo em trompa na Banda da GNR de Lisboa.

Maestro Duarte Pestana

Na Banda da G. N. R., onde esteve durante 20 anos, torna-se músico solista (de clarinete) com mais dois companheiros: Carlos Saraiva e Agostinho Romero. Os três clarinetistas eram considerados na altura “os três leões”. Toda esta fama alastrou-se às orquestras de Lisboa onde se destacou nas óperas realizadas no Coliseu dos Recreios.

A performance do clarinetista Duarte Ferreira Pestana está bem patente em duas histórias que o seu irmão nos relatou:

Na ópera de Giacomo Puccini (1858 - 1924) – Tosca - antes do cantor entrar com o tema principal, este é apresentado primeiramente pelo clarinete. A interpretação de Duarte foi tal que o público o aplaudiu quando este acabou de tocar a exposição do tema (coisa que só acontecia no final da ária e para o cantor).

Todo o propósito de sentimento de Duarte está patente no solo de clarinete da Ópera “La Traviata” de Giuseppe Verdi (1813 - 1901).

Durante todo o seu percurso como clarinetista tocou em quase todas as melhores orquestras portuguesas. Duarte colaborou com a Orquestra do Teatro Nacional de S. Carlos e também tocava numa Orquestra Sinfónica que fazia a temporada de Ópera no Coliseu.

Ao nível da composição, Duarte Ferreira Pestana foi basicamente um autodidacta. O responsável pela sua orientação musical foi o seu tio Américo Ferreira (irmão do pai) que o acompanhou até à entrada no Conservatório de Música do Porto. Foi neste estabelecimento de ensino que estudou oficialmente. Começou a compor as suas primeiras obras na década de 30 – a Fantasia Popular “Uvas do Douro” (1935) e “Fado Sem Palavras” (1937). Dedicou-se à música ligeira para teatro, cinema e rádio contabilizando-se em algumas centenas o número de composições. Também compôs para a Banda da G. N. R.

Paralelamente à vida militar na Banda da G.N.R., Duarte foi o maestro do coro e da orquestra da FNAT (era a equivalente à actual orquestra do INATEL) realizou vários espectáculos no Coliseu, no pavilhão dos desportos (hoje pavilhão Carlos Lopes) e em vários cinemas e teatros por todo o país. Para além de dirigir, ele escrevia para esta formação. Esteve na FNAT até 1973. Também, durante 13 anos, dirigiu o conjunto musical do Coliseu dos Recreios, bem como várias orquestras.

No final da sua vida, foi promovido de 1º Sargento a Sargento-ajudante e, naquela altura, a regra dizia que quando um militar era promovido tinha que mudar de posto. Acabou por ir para o Exército (onde tinha começado a sua vida militar), onde foi chefe da Banda de Música do Regimento de Caçadores nº 5. Mas não esteve lá muito tempo; ao reformar-se da vida militar, dedicou-se apenas à orquestra da FNAT até quase à sua morte.

Duarte Ferreira Pestana faleceu a 3 de Dezembro de 1974 em Lisboa, segundo o filho Américo Ferreira, em consequência de uma úlcera no duodeno que o impedia de comer. Esta agravou-se de Abril a Dezembro de 1974 ao ponto de ser internado no Hospital da Estrela. Segundo o irmão, Adácio Pestana, o facto de ele ter escrito a marcha “Angola é Nossa” (resultado de uma encomenda, e não tendo qualquer relação política dado que Duarte Ferreira Pestana não tinha qualquer afinidade com o regime ou contra-regime) conotou-o de fascista por muitos no pós 25 de Abril e este total abandono originou um isolamento que lentamente acabou com a sua vida.

Maestro Duarte Pestana

100º Aniversário do Nascimento de Duarte Ferreira Pestana

Em 21 Fevereiro de 2011, realizou-se um Concerto de Homenagem do 100º Aniversário do Nascimento de Duarte Ferreira Pestana, no Auditório do Conservatório de Música do Porto, precedido de uma palestra pré-concerto e comentários de Hernani Petiz (autor da Dissertação de Mestrado em Estudos Teóricos – Música, apresentada à Universidade de Aveiro, “Análise das Fantasias para Orquestra de Sopros de Duarte Ferreira Pestana”). Neste concerto, realizado no dia em que este brilhante compositor português para banda e distinto músico militar do Exército e da G.N.R. completaria 100 anos, a Orquestra de Sopros do Conservatório de Música do Porto, sob a direcção de Fernando Marinho, interpretou obras unicamente da autoria de Duarte Ferreira Pestana.

Textos e imagens recolhidos na Internet