ADÁCIO FERREIRA PESTANA
Músico: trompista e professor


Adácio Pestana nasceu a 21 de Junho de 1925 em Gouviães, freguesia do concelho de Adácio Pestana Tarouca, no seio de uma família de Adácio Pestana músicos. Em 1934 foi viver com o seu avô paterno, Manuel Ferreira, fundador da Banda Musical de Gouviães em 1877 e que o iniciou na música.

Como professores e substitutos da figura paterna teve os seus irmãos Duarte e Ângelo. Tal como seus irmãos, Adácio veio a ser mestre da Banda da sua terra Natal, apenas com catorze anos, onde se manteve durante dois anos.

Em 1942, a pedido de seu irmão Duarte, membro da Guarda Nacional Republicana, foi admitido nos "Pupilos da Guarda", após prestação de provas. Aqui iniciou os estudos secundários e o aperfeiçoamento musical até integrar a Banda da G.N.R. onde deu os primeiros passos no mundo da música sinfónica.

Pela mão de seu irmão, rapidamente passou a integrar as orquestras que acompanhavam os grandes espectáculos de ópera realizados no Coliseu dos Recreios em Lisboa, executando o lugar de primeiro trompa. Entre 1944 e 1948, foi fazendo reforços eventuais na Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. O convívio com grandes instrumentistas do naipe de trompas e o acompanhamento dos seus irmãos Duarte e Ângelo muito contribuíram para o seu aperfeiçoamento e desenvolvimento harmonioso. Casado com Maria da Glória encontrou, em 1946, no seu sogro, Dâmaso Martinho, um grade amigo e conselheiro.

Em 1948, ingressou a título permanente na Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. em 1950, na Adácio Pestana sequência do prémio "Del Nero" para trompa que lhe fora atribuído no ano anterior em concurso promovido por aquela estação radiofónica, passou a ocupar o lugar de trompa solista na respectiva categoria da orquestra. No mesmo ano, a direcção da Emissora Nacional passou a atribuir um carácter de regularidade à realização de concertos pelo Quinteto de Sopro que uns anos antes Adácio, seu irmão Ângelo e mais três músicos haviam fundado.

Em 1952, apresentou a solo, pela primeira vez, com a Orquestra Sinfónica para execução da primeira audição em Portugal do concerto n.o 1 opus 11 para trompa de Richard Struss. Os quatro concertos para trompa, de Mozart, fizeram também parte do seu repertório musical como solista à frente de várias orquestras: Orquestra Sinfónica, Orquestra Filarmónica de Lisboa e Banda Sinfónica da GNR em Lisboa, Funchal e Brasil. Também actuou na Orquestra Gulbenkian e em algumas orquestras sinfónicas inglesas e alemãs. Tocou ainda todo o repertório de ópera clássico e contemporâneo no Teatro de São Carlos e no Coliseu de Lisboa.

A ida de seu irmão Ângelo para o Brasil, em 1956, onde viria a destacar-se como maestro da Orquestra e Director Artístico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi por si muito sentida habituado que estava à sua profunda amizade e a tantos e bons momentos que passaram juntos.

Desde o início da sua carreira, que perdura até aos anos oitenta, que Adácio Pestana tocava uma média de 10 hora por dia em ensaios de conjunto sinfónico ou exercícios individuais e em estudo de peças musicais.

Apesar da sua intensa actividade, concluiu o Curso do Conservatório Nacional de Música, com distinção, Autografo de Stravinky em 1961. De imediato, passou a frequentar um curso de aperfeiçoamento de trompa no Conservatório de Zurich, Suiça, como bolseiro da Fundação Gulbenkian. Nesse ano ainda, depois de ter comprado a sua primeira trompa de elevadíssima qualidade, reputada Casa Alexander em Mainz, na Alemanha e após a administração da fábrica se aperceber da excelência dos seus dotes, Adácio Pestana passou a seu conselheiro para o fabrico dos instrumentos. Em 1962 tomou posse como Professor do Conservatório Nacional de Lisboa onde leccionou mais de três décadas. Foi também professor na Academia de Música Eborense e no Conservatório de Setúbal. Como instrumentista, actuou na Alemanha, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Holanda, Itália, Marrocos, Suiça e na então Província de Angola.

Privou com os maiores compositores, professores, músicos e maestros nacionais do seu tempo. Recebeu convites de maestros mundialmente célebres para integrar as melhores orquestras internacionais, mas sempre preferiu "o seu cantinho" como carinhosamente tratava o seu País.

Em 2 de Dezembro de 1989, actuou pela última vez no Teatro São Luis, em Lisboa, no derradeiro concerto da Orquestra da RDP (Ex-E.N.) antes da sua extinção, por decisão governamental.

Celebrado como exímio executante de trompa (um dos mais conceituados a nível mundial) e como professor proeminente na arte de bem ensinar, Adácio Pestana, com o seu modo de ser e de estar na vida, cultivou grades amizades sendo admirado por todos quantos com ele conviveram.

No dia 21 de Abril de 2004, Adácio Pestana e sua inseparável companheira Maria da Glória faleceram vítimas de um trágico acidente de viação na zona de Penacova.

O seu desaparecimento causou uma enorme consternação no seu concelho natal, onde era muito estimado, e nos meios musicais nacionais onde as suas qualidades eram reconhecidas e apreciadas, como o demonstraram as cerimónias fúnebres e homenagens a si dedicadas.

O município de Tarouca atribuiu o seu nome ao Auditório da sua sede de Concelho, prestando assim justa homenagem à sua memória.